sexta-feira, 17 de julho de 2015

Espelho nº 4

Foi um susto grande o dele, e fez algo bestial urrar para fora como uma rainha louca em perigo. Foi um susto grande o dele e fez de bestial e louco, uma rainha que corria às pressas, pregou peças e a manga da camisa desabotoada. Foi um susto grande e uma vontade louca de correr para fora ou para longe de todas as cenas que nunca viveriam juntos. Berrou que ela era tudo, menos obs-cena, e rasgou as folhas, e colocou na boca, e mastigou, mastigou e cuspiu a gosma branca e a baba. Feito demência ou feito um susto, grande que escorreu pela sala e depois pela manga da camisa, desabotoou as calças e pensou que era tarde demais para eles, para tudo deles. Que já não era nada. Bem menos. Foi um susto grande que adquiriu a profunda certeza da incompreensão. Um susto tão grande aquele, e derreteu a mucosa pelo avesso, sorria triunfante de toda verborrágica louca da rainha, que corria corria para fora da cena. Urrava ainda, e afinal, olhou bem dentro da pupila dela e gritou: covardia!!!! menos que isso, é um animal atado, é a sensação de não pertencer nem aqui e nem lá. Verborrágico, bateu e gritou e derrubou a mesa, plantas, cadeira, e babava colérico eu olhava e não encontrava nada. Colérico, me olhou dentro do mais profundo da pele e do olho e disse que tinha nojo, nojo nojo de animais domesticados. Que os meus gatos que fossem pardos ou cinza, malhados, mas ainda tudo em mim era insuficiência e o dinheiro sujo que ele enche os bolsos preencheriam um cu qualquer na rua, sem precisar marcar hora. Dez vinte trinta cus pelas esquinas de qualquer centro de qualquer cidade.

(maio, 2015)

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