sexta-feira, 13 de abril de 2018

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Herança de poeta

Conscerto do desejo - Matheus e Maria Cecília Nachtergaele

"São gestos de poeira,
andar de poeta que anda muito desajeitadamente

O mais urgente
      (...)
O mais urgente.
Talvez tristeza,
Talvez choro

Bem aventurados são os ursos

Amar
Amar bastante
Sofrer muito
Ser triste

A tragédia nos acompanha: morreremos.



          Desse jeito você sempre vai ser só. Não seja assim.
          Tente não ser assim. Em você não há busca. Assim não pode ser feliz.
          Não é por minha causa que eu digo. Eu confesso, também em mim a procura
          acabou. Mas por você, pela felicidade de você, pela ternura. Esse verso vai ficar
          piegas e comprido mas não faz mal, não se você entender que essa minha angústia
          é por você. Independentemente, por você.
         As pessoas, veja as pessoas como elas são. Eu não acredito que elas precisam tanto
         de você quanto você precisa delas. E vai ficando tarde, é uma questão de defesa,
         não saia por aí assim, por favor, não saia por aí assim tão seguro de si, dispondo
         apenas de uma saudade apaziguada para cada grande tristeza que deveria sentir.
        Não seja mais assim, desculpa eu repetir. Ou não vão querer você. E desculpe
         também por ter falado tanto. Sei que é bobagem minha, mas eu amo você."

                                                                   (Matheus e Maria Cecília Nachtergaele)

sexta-feira, 16 de março de 2018

Meu Sangue

[Sei que estou na idade de obedecê-la, de ir atrás de sua voz que atravessa desde a folha gelada no trigal até o bico da ave que nunca soube pousar na terra e aguarda que um dia os céus se façam quartzo para enfim deter-se num único instante [...] enquanto me humilha, me exalta, me inunda, me exaspera, me seca, me abandona, me faz correr de novo, e não sei como chamá-la de outro modo: meu sangue.]
                                   
(trecho poema de Rafael Alberti, que inspirou a tela de Leon Ferrari)


                                                      (Leon Ferrari, Sem título [Sermón de la sangue],  1962)

segunda-feira, 12 de março de 2018

O sem-sentido apelo do não

FIZ DE MIM O QUE NÃO PUDE. Sonhei: Um - Pulei

de paraquedas do alto do avião. O paraquedas não abriu,
                                                                          e eu morri. Dois: um corpo deformado, formas disformes, um borramento narcísico. Não há três. Procura-se agulhas para desarmar bombas: nada pode o ouvido contra o sem-sentido apelo do nãoAs coisas tangíveis tornam-se insensíveis a palma da mão; Despedir-se. Não ter mais lugar, nem espaço. Compressão do pulmão, dos pulsos, da pele, de um sonho, o fim de um espaço-tempo.Viver num tempo onde o amor perdeu para a banalidade dos corpos. Tentar ser forte agora, que é chegada a nossa hora.Tentar ser forte agora, que é chegada a nossa hora.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Quando havia esperança

O que há no meu peito é um infinito. Miríade de poeira estelar, grãos luminosos, galáxias inteiras. Um cosmos em combustão. Órbitas seguras pretas, dois sóis amendoados dos olhos dele. Sou esse espaço e essa duração, e guardo a possibilidade de me expandir. Colher os grãos de infinito. Inventar o tempo e o espaço. Desassossego. Tudo se move, tudo em movimento.                                                                                                                                                                                                 13/02/2018                                                                                                                         
Desassossego
Tudo se move, tudo em movimento.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Poema inacabado

                    [Para André]

Ontemhoje
Atravessei e
colhi um broto de algodão
no escuro.
Desenhei no espaço
a tua duração:
são infinitos os
pontos onde a alegria
inventa e grafa
um macio na pele.
Flutuo terrena e 
inverto a gravidade:
os sonhos não pesam.
É o grão dos olhos
e a umidade da voz
que ensaia dizer.
Talvez seja isso que
tocamos no escuro.

domingo, 24 de dezembro de 2017

O latir dos pulsus

Repulsa
Repulsivo
Re     pulsão
  Pulsão
                Ré   
[Dar a ré - andar para trás]

      Pulsar     -      Ar
      Pular      -    Jump

   SUL          -      AR

[Quando o ar do Sul pode pesar no verão]

       Rua        -      Sep
[Septicemia,   -    CEP    -     sepse
                            Quando um endereço pode ser um tipo de infecção que mata]


Infectar o sangue
Quando o endereçamento pode ser uma infecção sanguínea

     Pular      -       Jump
[Para DENTRO ou para FORA?]

     Puls (AR)   -   vôo ou queda?

Dar a ré: andar para trás.

       Ré
             Pulsão

             Re    pulsão
           Repulsivo
                  Repulsa.


Repulsa: do lat. REPULSUS, particípio passado de  REPELLERE  "repudiar, empurrar para trás", de RE - "para trás", mais PELLERE,  "bater, empurrar"

Também o contrário da atração.

Ainda:
Latim: repulsa - ae, revés, mau êxito, recusa.
 (latir)      pulsa: banido
            repulsus: alergia, banido.