sábado, 28 de setembro de 2019

Cenas de fim de janeiro/setembro ou De um amor nascendo e morrendo


Setembro
Você dá o primeiro passo rumo ao desconhecido, e ele te acolhe inteira. Te engolfa. São novas camadas de existência que você atravessa. Tem medo de nascer todas as vezes, mas é porque você já está nascendo. Sente que é uma nova gravidade. Uma nova cadência, tem corpo de veludo e vinho tinto.
Janeiro
1. São Letras você pensa. São apenas letras você gostaria de acreditar. O que realmente a incomoda são as letras não pronunciadas. Gostar de alguém implica em tantas incertezas e você está farta delas.
2. O difícil é perceber os sentidos que são possíveis de compartilhar com o outro. E o nome que podemos dar para as coisas. Tão fácil gostar de você eu escrevi. Fácil, fácil.
3. Despossuir: Objetos. Alegrias. Certezas. Despossuir o medo.
4. Pensamento. E você não pode prever. Quando é cedo ou tarde demais.
5. O que dói. É não fazer diferença, marca ou lugar. Embora M. escreveu para pedir desculpas. E vai faltar.
6."Pertença e pertinença". Ter sido esse lugar na vida de alguém. Pertencer e ser pertinente à vida. Até não ser mais.
7. Lembre de.
8. A nossa alegria, para onde foi?
9. Avise que horas, eu quero abraçar o tempo.


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Pétalas Brancas


Não chegamos. O corpo do outro é murado. Sem escalas. Proporções, medidas. Terrestres ou (i)numanas. Inundadas. As fronteiras eriçam tropeçam, ensaiam.
And I think of you.

sábado, 20 de abril de 2019

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Cenas de fim de janeiro, início de fevereiro

3. Despossuir:
Objetos. Alegrias. Certezas.
Despossuir o medo, é possível?

"Quem ama, erra"
Despossuí o medo, mesmo que,
por uns segundos apenas.

Perder o medo é dar um abraço no tempo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Sopros da manhã - duração uma semana 17/01 a 24/01

"O coração temeu, mas
aprendeu a se entregar"
                     

ainda que.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Daqui de dentro
a luz entrava
vestígios
Diz
Só assim pude entender
eu sei porque.
Não vá deixar

No matter what you're say
You can’t come anywhere near me
You’re not coming anywhere near me
Well I’m saying don’t look anywhere near me


But you’re not coming anywhere near me anyway

segunda-feira, 23 de julho de 2018

SOBREPOSIÇÕES

Sobre maio, dez anos depois

[Senti o mar na pele dele.
Toquei nas ondas e na imensidão
salgada.
Três anos de lágrimas]


Não sei se posso tocar nas cicatrizes que guardei.

É preciso um mar inteiro de lágrimas
de um amor que já
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Fim de julho, 5 meses depois de um assassinato.
                         [os cúmplices estão todos soltos]

Sonho com restos de
maldadade
Com pedaços de horror/fragmentos
Poeira de crueldade
No fundo da catástrofe
me lembro do seu rosto.
De alguma lembrança borrada
e não consigo mais chorar.
Embora alguma coisa tão
ínfima e desfigurada
Reste no fundo de um
copo sem fundo.
São coisas que não se atravessam. São
as letras do seu nome que ainda restam
dentro do meu.
A violência sem medidas
que deixei morrer
e que abandonei.