quinta-feira, 16 de maio de 2013

Para Alpha Centauri


A
Isso que você diz com tantas palavras abafadas e um calor que eu não sei tocar. Isso que rodeia pelos cantos da casa, que faz poeira e que foge por todas as janelas e por todas as paisagens. Isso que tem também um gosto, e que eu senti apertar contra o meu corpo, e que eu ouvi sem nenhuma pressa. Não tenho almofadas e não tenho nada mais que os peixes de papelão que Hillé recortou para mim do vão da escada e cheia de ternura colocou na água. São papéis e eles desmancharam. Empaparam de água e depois de encharcar fibra por fibra foi ficando uma água turva que o escuro dos teus olhos balbuciou para mim, foi deslizanto lento até decantar no fundo do corpo sons sussurrados no meu ouvido.

B
Tive raiva e muita dor e não soube onde guardar. E me perguntei tantas vezes e fui fuligem tantas noites cinza sem poder dormir ou acordar, eu pensei na sua nuca e na sua pele e no seu corpo de mulher e pensei que você devia ser bem mais forte. Pensei nas mãos dadas e nas ruas de uma cidade velha, e pensei nos livros e num amor tão grande tão grande. Eu não sei o que eu poderia e dizer, que há. Eu sei. Não sei recusar a dor que nasce neste pedaço de estrela com pontas, minha querida, estamos todos derrotados. Amor que dilacera pelo avesso e não soubemos onde guardar.

C
Para ouvir ao som de:

"Alpha Centauri (α Centauri, α Cen), também conhecida como Rigel Centaurus, Rigil Kentaurus, Rigil Kent, ou Toliman,1 é a estrela mais brilhante da constelação de Centauro, sendo a terceira mais brilhante do céu, vista a olho nu.
Esta estrela é, na verdade, um sistema triplo, no qual Alpha Centauri A e Alpha Centauri B giram em torno de um centro comum, gastando quase 80 anos para completar uma órbita, já Alpha Centauri C, também chamada de Proxima Centauri, demora mais de um milhão de anos para completar uma órbita em torno das componentes principais e é a estrela mais próxima do Sol, a 4,2 anos-luz, enquanto o sistema Alpha Centauri AB estão um pouco mais distantes a 4,4 anos-luz.
A estrela Alpha Centauri A é uma estrela amarela, cerca de 23% maior que o Sol. Já Alpha Centauri B é uma estrela laranja com um raio 14% menor que o solar, e abriga um planeta descoberto em 2012, com massa parecida com a da Terra, porém fora da Zona Habitável (muito próximo de sua estrela). Enquanto que Proxima Centauri é uma anã vermelha com brilho muito reduzido e diâmetro de 1,5 vezes maior que o diâmetro deJúpiter, tanto que só foi descoberta em 1915 pelo astrônomo britânico-sul-africano Robert Thorburn Ayton Innes (1861-1933)". (http://pt.wikipedia.org/wiki/Alpha_Centauri)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Às vezes eu quero
E é só uma variação de intensos
eu e a noite é só uma variação de intensos
você diz eu.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Ganhei de presente hoje, adorei esse quase transparente, ao ser lido ao som de outro presente de tropeço, chamado Prelúdio para uma história invisível



De como decorar a nova moradia

Luminária no canto da grande sala. Vazia. Falte com objetos.
Espaço aos nossos segredos, quase ecos. Cozinha de sopa de aspargos, banho de banheira com sais. Da janela, repartir cores olhando o jardim. E
o resto virá sem que se diga

Poema de Alexandre Barbalho, Entre - poemas. Editora da Casa, Florianópolis, 2010, p.100.

http://www.youtube.com/watch?v=df4RYUIhSiw

quinta-feira, 7 de março de 2013

Eu queria uma boa história para dormir.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

SOBREPOSIÇÃO II


música Pass this on - The Knife: primeira vez que ouvi: filme Amores Imaginários (Xavier Dolan) - http://www.youtube.com/watch?v=ILthJ4WzOww, segunda vez: no youtube, travesti lindo cantando -http://www.youtube.com/watch?v=gKhjaGRhIYU, e ontem a noite no filme Elles, numa cena com a Juliette Binoche - http://www.youtube.com/watch?v=9Xzqli0DxDM, agora a música taí, não sai da minha cabeça.


sobrevôo: Inéditos e dispersos - Ana Cristina César
consumido: As mãos - Manoel Ricardo de Lima - livro novo, 2012.
ali à espera: Grande Hotel Abismo: por uma reconstrução da teoria do reconhecimento - Vladimir Safatle

Aridez, ária, vernação

Aridez. (ê). S.f. 1. Qualidade ou estado de árido. 2. Aspereza, rudeza. 3. Fig. Falta de amenidade, suavidade, brandura, sensibilidade, etc. 4. Geol. Estado atmosférico observável quando, em determinada área, a evaporação é superior às precipitações.

Ària.[Do it. Aria] S.f. 1. Peça de música para uma só voz. 2. Melodia, cantiga. 3. Parte que exprime o sentimento inspirado pelo assunto da cantata.

Vernação. [Do lat. vernatione, ‘mudança da pele das cobras na primavera’] S.f. Morfol. Veg. Prefoliação.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Projeto Ausências Brasil
torna os desaparecidos presentes
Exposição de fotografias

O Arquivo Público do Estado de São Paulo abre nesta sexta-feira (7 de dezembro), a exposição de fotografias do Projeto Ausências Brasil. A mostra denuncia os assassinatos cometidos durante a ditadura militar de uma maneira inusitada: com fotos onde os personagens principais não estão presentes. A Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (ALICE) - responsável pela coordenação do trabalho- garimpou retratos nos álbuns das famílias dos desaparecidos políticos e o fotógrafo argentino Gustavo Germano remontou as mesmas cenas, com personagens e cenários idênticos, evidenciando assim a dolorosa falta daqueles que não se encontram mais ali.
Idealizado por Germano, o Projeto Ausências foi inicialmente realizado na Argentina. Por meio de parceria com a Alice e convênio firmado com a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), tornou-se possível montar a versão brasileira. A ALICE é uma Ong gaúcha, com sede em Porto Alegre, que trabalha pelo direito à comunicação e resgate da memória brasileira. A intenção é ampliar o trabalho aos demais países latino-americanos marcados por ditaduras militares.
Durante os meses de junho e julho de 2012 a equipe formada por Gustavo Germano, Luciano Piccoli e André Garcia rodou o Brasil fotografando familiares de diversos mortos e desaparecidos, entre eles Bergson Gurjão Farias, Luiz Almeida Araújo, Fernando Augusto De Santa Cruz Oliveira, Iuri Xavier Pereira, Alex de Paula Xavier Pereira, Arnaldo Cardoso Rocha, Jana Moroni Barroso, Ana Rosa Kucinski Silva, Devanir José de Carvalho, Virgílio Gomes da Silva, Luiz Eurico Tejera Lisboa, João Carlos Haas Sobrinho. O folder produzido especialmente para a exposição, conta a história de 12 casos brasileiros e cinco argentinos, revelando aspectos da vida dessas pessoas.
A coordenadora geral do projeto, a jornalista gaúcha Rosina Duarte, conta nesta entrevista como aconteceu o encontro entre a ALICE e o trabalho do fotógrafo Gustavo Germano e faz uma avaliação do seu significado estético e político no atual momento brasileiro.

1. Como a ALICE entrou em contato com o trabalho do fotógrafo Gustavo Germano? E por que decidiu replicar a exposição aqui no Brasil?
A ALICE tem convênio com a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República e do Ministério da Justiça – por meio da Comissão da Anistia - e vem trabalhando com a recuperação da memória do período da ditadura militar há mais de cinco anos. O projeto do fotógrafo Gustavo Germano, pela sua originalidade e impacto, tornou-se bastante conhecido no âmbito dos Direitos Humanos e, ao tomarmos conhecimento dele, montamos a parceria com a SDH. Importante lembrar que a ALICE é uma organização não governamental focada no direito à comunicação e à informação – garantidas pelo artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A recuperação da memória faz parte desta proposta pois, sem o conhecimento dos fatos é impossível que os cidadãos desenvolvam consciência crítica e perspectiva histórica. Nesse sentido, a ALICE desenvolveu um trabalho composto de exposições fotográficas itinerantes sobre o período (duas versões diferentes para a SDH e uma para a Comissão da Anistia) que já foram vistas por mais de 3 milhões de pessoas em todo o Brasil. Também instalou memoriais- feitos em aço naval e contendo textos explicativos- em locais públicos de grande circulação, em diversas cidades do país. Dessa forma, contribui para formar uma ponte histórica sobre o enorme fosso de desinformação a respeito do período ditatorial.
2. Qual o significado político e estético desse trabalho nas circunstâncias brasileiras?
Existem povos que não permitem fotografias porque acreditam que as imagens impressas lhes roubam a alma. Com este trabalho, estamos fazendo exatamente o contrário. Ou seja, ao fotografar a ausência de pessoas imprescindíveis à luta pela redemocratização no Brasil, trazemos de volta o seu espírito de luta pela verdade, a memória e a justiça. Trata-se de uma denúncia sem voz, sem palavras, sem rosto. Isso é absolutamente inovador e impactante. Números são frios, informações se perdem no emaranhado de contra-informações. Hoje existem pessoas pregando que o tempo da ditadura era melhor porque não havia corrupção, nem escândalos políticos, nem violência. O que elas não dizem é que a imprensa era amordaçada e a política era um circo de marionetes e quem se atrevesse a abrir a boca era preso, torturado e assassinado. Por isso tudo ficava abafado no silêncio imposto pelo taco dos coturnos. Mas como os jovens podem saber se não viveram essa realidade e quase nada lhes foi transmitido sequer nas escolas – estas também afogadas em uma reforma do ensino destinada forjar cidadãos obedientes? A Exposição Ausências, portanto, faz o papel não apenas de informar como de transmitir a dor dos familiares e o quanto o País perdeu com a morte dessas pessoas que hoje possívelmente tivessem fazendo a diferença na sua história.

Projeto Ausências Brasil
Coordenação geral - Rosina Duarte – Coordenadora da ALICE
Curadoria e fotografia - Gustavo Germano
Imagens históricas: Acervos de Família
Produtor executivo: Luciano Piccoli
Filmagem e making off: André Luis Garcia
Apoio logístico: Brasil Imagens
Produção e realização: ALICE (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação) – www.alice.org.br

Contatos com Rosina Duarte:
rosinadeduarte@gmail.com
xxx 51 9710.4304 (Porto Alegre/RS)

Imagens:
Lavoro Comunicação
producaolavoro@gmail.com
xxx 51 3407.5844

JUSSARA PORTO
Assessoria de Imprensa e Divulgação
Fones: xxx 51 3233.4487 e 9999.9268