segunda-feira, 20 de novembro de 2017

No meio do caminho

No meio do caminho tinha a arte
Tinha a arte no meio do caminho
Tinha a arte
No meio do caminho tinha a arte

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha a arte
Tinha a arte no meio do caminho
No meio do caminho tinha a arte.


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Achado

Tantos eles nas minhas anotações, mas nenhum outro.

[anotação de agenda, 10 de outubro de 2014,
                                                      IA, Poa.]

Anotação compartilhada do poeta:
"toda anotação é um processo de esquecimento"

terça-feira, 12 de setembro de 2017

domingo, 20 de agosto de 2017

Travessias

Então criminalizou-se a paixão.

[ Premonição/Nota de diário  (fim de julho)

'Desejar a vida passa a ser um crime. Desejar
amar o amor passa a ser uma tolice']

O corpo revolta febre e convulso
mal pode

tocar
que desaba.

Às vezes a dor se torna artilharia.


                       Mas eu recuso.


Insisto em ser
patética.


Ofereço delicadezas que ganhei ontem
de presente de quem nem imagina o peso dessa dissolução


E fico à espera, tento abrir as cortinas das manhãs à espera de olhos que possam nascer novos
para  uma Vita Nova.


E canto (para espantar a dor)


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Sobre a tentativa de se despedir da imagem mais bonita de uma capital

Carta-poema de abril

Eu amava uma delicadeza que havia,
antes.
Uma beleza convulsiva me feriu. 

Toquei essas imagens turvas/margens de  sonho e inefável, impossível e íntima, 
ferida 

Água-viva? 

Sobre  as margens, entre essas margens, o oceano pode ser um corpo.
 Expando e contraio -  modulações do movimento.
Amanhã ou depois, ou ainda mais tarde. A vida rouge.

A imagem mais bonita de uma capital. que eu guardei.





terça-feira, 23 de maio de 2017

Guardado,

2012, traços perdidos de  A.C.C, pedaço de
letra em papel arroz e um excesso de ar para respirar, 
sempre algum antes dentro de um depois. 
captar o gesto que mora na página de um livro não escrito.
ser de avessos ou revés.

III

Então fui e busquei procurei por elas

Depois e ainda

Não gostei daquilo, amontoado, pedaço mal

acabado

Foi pouco. Ou por pouco

Tento é sempre anterior

                         O tempo

Ele escreve nas paredes, e risca os degraus da escada.

Uma guerra decalcada, ontem.

Foi ontem, ou por pouco.

Mentiras cumulam parapeitos, ela continua

                                                             no chão.
O deserto,

[continua no chão]

                   O deserto

Alguém, ninguém perguntou.

Ofício, orientação, no espaço, ninguém sabe.

Nem mesmo ela sabe, nem mesmo ela sabe.

Era deserto antes de ser chão. Querida vem cá, dá a mão.

Vem.

Um deserto antes de ser chão.


 07.05.2012

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Recorte de jornal,

mais um para Ana C.

"Até hoje nós viúvas jovens e nem tanto de ana c.
sóbrias ou já meio loucas estamos procurando
uma noite de amor nas linhas de seus poemas"
                                                (Angélica Freitas)

In:  http://www1.folha.uol.com.br/serafina/2016/07/1785342-leia-poema-inedito-de-angelica-freitas-em-homenagem-a-ana-cristina-cesar.shtml     

Angélica Freitas é poeta. Seu livro "Rilke Shake" ganhou o prêmio Best Translated Book Award, da Universidade de Rochester, nos EUA.