sábado, 16 de fevereiro de 2013

Aridez, ária, vernação

Aridez. (ê). S.f. 1. Qualidade ou estado de árido. 2. Aspereza, rudeza. 3. Fig. Falta de amenidade, suavidade, brandura, sensibilidade, etc. 4. Geol. Estado atmosférico observável quando, em determinada área, a evaporação é superior às precipitações.

Ària.[Do it. Aria] S.f. 1. Peça de música para uma só voz. 2. Melodia, cantiga. 3. Parte que exprime o sentimento inspirado pelo assunto da cantata.

Vernação. [Do lat. vernatione, ‘mudança da pele das cobras na primavera’] S.f. Morfol. Veg. Prefoliação.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Projeto Ausências Brasil
torna os desaparecidos presentes
Exposição de fotografias

O Arquivo Público do Estado de São Paulo abre nesta sexta-feira (7 de dezembro), a exposição de fotografias do Projeto Ausências Brasil. A mostra denuncia os assassinatos cometidos durante a ditadura militar de uma maneira inusitada: com fotos onde os personagens principais não estão presentes. A Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (ALICE) - responsável pela coordenação do trabalho- garimpou retratos nos álbuns das famílias dos desaparecidos políticos e o fotógrafo argentino Gustavo Germano remontou as mesmas cenas, com personagens e cenários idênticos, evidenciando assim a dolorosa falta daqueles que não se encontram mais ali.
Idealizado por Germano, o Projeto Ausências foi inicialmente realizado na Argentina. Por meio de parceria com a Alice e convênio firmado com a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), tornou-se possível montar a versão brasileira. A ALICE é uma Ong gaúcha, com sede em Porto Alegre, que trabalha pelo direito à comunicação e resgate da memória brasileira. A intenção é ampliar o trabalho aos demais países latino-americanos marcados por ditaduras militares.
Durante os meses de junho e julho de 2012 a equipe formada por Gustavo Germano, Luciano Piccoli e André Garcia rodou o Brasil fotografando familiares de diversos mortos e desaparecidos, entre eles Bergson Gurjão Farias, Luiz Almeida Araújo, Fernando Augusto De Santa Cruz Oliveira, Iuri Xavier Pereira, Alex de Paula Xavier Pereira, Arnaldo Cardoso Rocha, Jana Moroni Barroso, Ana Rosa Kucinski Silva, Devanir José de Carvalho, Virgílio Gomes da Silva, Luiz Eurico Tejera Lisboa, João Carlos Haas Sobrinho. O folder produzido especialmente para a exposição, conta a história de 12 casos brasileiros e cinco argentinos, revelando aspectos da vida dessas pessoas.
A coordenadora geral do projeto, a jornalista gaúcha Rosina Duarte, conta nesta entrevista como aconteceu o encontro entre a ALICE e o trabalho do fotógrafo Gustavo Germano e faz uma avaliação do seu significado estético e político no atual momento brasileiro.

1. Como a ALICE entrou em contato com o trabalho do fotógrafo Gustavo Germano? E por que decidiu replicar a exposição aqui no Brasil?
A ALICE tem convênio com a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República e do Ministério da Justiça – por meio da Comissão da Anistia - e vem trabalhando com a recuperação da memória do período da ditadura militar há mais de cinco anos. O projeto do fotógrafo Gustavo Germano, pela sua originalidade e impacto, tornou-se bastante conhecido no âmbito dos Direitos Humanos e, ao tomarmos conhecimento dele, montamos a parceria com a SDH. Importante lembrar que a ALICE é uma organização não governamental focada no direito à comunicação e à informação – garantidas pelo artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A recuperação da memória faz parte desta proposta pois, sem o conhecimento dos fatos é impossível que os cidadãos desenvolvam consciência crítica e perspectiva histórica. Nesse sentido, a ALICE desenvolveu um trabalho composto de exposições fotográficas itinerantes sobre o período (duas versões diferentes para a SDH e uma para a Comissão da Anistia) que já foram vistas por mais de 3 milhões de pessoas em todo o Brasil. Também instalou memoriais- feitos em aço naval e contendo textos explicativos- em locais públicos de grande circulação, em diversas cidades do país. Dessa forma, contribui para formar uma ponte histórica sobre o enorme fosso de desinformação a respeito do período ditatorial.
2. Qual o significado político e estético desse trabalho nas circunstâncias brasileiras?
Existem povos que não permitem fotografias porque acreditam que as imagens impressas lhes roubam a alma. Com este trabalho, estamos fazendo exatamente o contrário. Ou seja, ao fotografar a ausência de pessoas imprescindíveis à luta pela redemocratização no Brasil, trazemos de volta o seu espírito de luta pela verdade, a memória e a justiça. Trata-se de uma denúncia sem voz, sem palavras, sem rosto. Isso é absolutamente inovador e impactante. Números são frios, informações se perdem no emaranhado de contra-informações. Hoje existem pessoas pregando que o tempo da ditadura era melhor porque não havia corrupção, nem escândalos políticos, nem violência. O que elas não dizem é que a imprensa era amordaçada e a política era um circo de marionetes e quem se atrevesse a abrir a boca era preso, torturado e assassinado. Por isso tudo ficava abafado no silêncio imposto pelo taco dos coturnos. Mas como os jovens podem saber se não viveram essa realidade e quase nada lhes foi transmitido sequer nas escolas – estas também afogadas em uma reforma do ensino destinada forjar cidadãos obedientes? A Exposição Ausências, portanto, faz o papel não apenas de informar como de transmitir a dor dos familiares e o quanto o País perdeu com a morte dessas pessoas que hoje possívelmente tivessem fazendo a diferença na sua história.

Projeto Ausências Brasil
Coordenação geral - Rosina Duarte – Coordenadora da ALICE
Curadoria e fotografia - Gustavo Germano
Imagens históricas: Acervos de Família
Produtor executivo: Luciano Piccoli
Filmagem e making off: André Luis Garcia
Apoio logístico: Brasil Imagens
Produção e realização: ALICE (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação) – www.alice.org.br

Contatos com Rosina Duarte:
rosinadeduarte@gmail.com
xxx 51 9710.4304 (Porto Alegre/RS)

Imagens:
Lavoro Comunicação
producaolavoro@gmail.com
xxx 51 3407.5844

JUSSARA PORTO
Assessoria de Imprensa e Divulgação
Fones: xxx 51 3233.4487 e 9999.9268

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Para celebrar o teu assombro
Eu quero assoprar de [vagar] os fósforos, um a um sobre
uma migalha de cinza, cinza acinzentado
acidentado
Cai pluma, floco uma migalha
Quase o cinza no escuro e depois mais claro
Assoprar o teu assombro e afagar no teu cabelo, com o ombro,
com um beijo de quem nunca
nem mesmo não

quinta-feira, 12 de julho de 2012


O papel estava sobre

E a vida estava sobre

E entre eles havia uma esperança de encontro.


p.s: contaminação do filme A cor da romã,1968, dirigido por Sergei Parajanov:

"A vida do poeta e trovador armênio Sayat Nova é revelada mais através de sua poesia do que de eventos importantes em sua vida, por meio de um imaginário lírico, poético e belamente construído, sem tramas ou diálogos. A sequência de abertura do filme, formada pelos escritos de Nova, ressoa por toda a obra: "Eu sou o homem cuja vida e alma são tortura".

domingo, 24 de junho de 2012

Tinha também uma queda d'água, mas nós não reparamos nela a tempo, que estava gelada demais, que ela ia congelar todo o resto, não vi que o gelo era a parte mais dura daquela história. não vi que o gelo ia matar , não eu não vi, nem reparei, que o amor gelado da morte já estava lá.

"um lanceado sob a ponte. e a força da água não diz a sombra do meu braço, magro, encostado no parapeito. a solapa do limite é meu corpo. posso gritar um drama: death, oh, my death, beacause my eyes aren't closed. esta é uma parte que punge urge e me roça na parede, uma parte que bebe e que é nunca. se a caliça não cumpre, não tem jeito, mas foi este meu alvoroço de espera. e as portas até esperam, mas não como as pessoas. um próximo e feio rangido. a cicatriz dos ausentes num pedaço de lodo penso: alluvione, alluvione. os estilhaços de tempo. amor retorcido ao léu. às vezes tudo se reduz a entulho, a pó, a medo e a uma ou duas variantes de coragem. a marquise de água, por exemplo, a água da avenida, os três metros quadrados de marquise e aquelas calandras num sobrevôo pelos arredores, e um céu techinicolor. são rodopios num sem fio. amor que inventa leveza abraço perjúrio e nojo: às vezes é impossível ficar acordado, ou dormir. o gesto é até possível, quase cancro ou soco na boca."

[De: LIMA, Manoel Ricardo de - o quadrado branco, um - "Quando todos os acidentes acontecem". Rio de Janeiro:7Letras, 2009.]

segunda-feira, 4 de junho de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um passeio pelas caixas do passado I

Título de um texto de Mário Pedrosa, de 1967, Um passeio pelas caixas do passado vai comentar o uso da caixa pelas vanguardas brasileiras e depois vai fazer um breve brevíssimo passeio por certo fascínio, ou começo de uso de armários e caixas, baús, renascentistas do Quatrocenos. E termina o texto com a seguinte frase:"(Mas e a caixa nisso tudo onde fica? Veremos depois)".

Mas tudo isso para dizer que fui hoje a uma das duas caixas que guardo infindáveis papeizinhos, cartas, poesias ruins escritas há muito tempo atrás, e me senti 'passeando pelas caixas do passado'. E entre muitos escritos, alguns pavorosos, encontrei uma ou duas frases que resolvi resgatar:

"Nas dimensões dos poetas
Tudo é vasto e tudo
pode ser devastado"
(06.12.2002)

"Confesso mais esse crime de outono: querer amar de novo!"
(24.05.2000)

"Porque a realidade muda de tom?
Se os dias são as distorções
Do reflexo de meu sentimento
Não adiantaria mudar o passo,
o vento o espaço"
(1997-2000)

E também reli cartas escritas em 2002 para mim. Parece que a força delas me atingiu hoje, dez anos depois. Pequeno lapso de tempo. Também poderia se chamar: quando 2012 encontra 2002.